Suporte da Bethesda não aconteceu em outras plataformas da Nintendo devido à especificações técnicas
Pete Hines diz que Doom foi desenvolvido com o Switch em mente

Pete Hines da Bethesda teve algumas coisas interessantes a dizer sobre o Switch durante um painel no PAX Aus 2018 na semana passada. Nós já ouvimos Hines mencionar que a empresa está considerando o console para seus jogos em quase todos os casos, mas ele realmente tinha muito mais a dizer sobre a plataforma da Nintendo.

Hines falou pela primeira vez sobre o suporte ao console híbrido em geral e por que a publicadora tem colocado tantos jogos quanto tem na plataforma até agora. A grande moral é que a principal razão para a falta de suporte da Bethesda nas plataformas da Nintendo no passado foi simplesmente devido à especificações técnicas. Para o Switch, o que o sistema é capaz de combinar muito bem com o que a Bethesda e os desenvolvedores estão fazendo permitiram que esses jogos acontecessem.

Hines compartilhou o seguinte:

“Então, nós conseguimos ver um protótipo bem inicial do Switch algum tempo antes dele ser  anunciado e eu acho que estávamos muito bem vendidos sobre a ideia dele. Por um lado, não poderíamos ter uma plataforma sem o Skyrim, então... mas eu, Todd Howard, Todd Vaughn e alguns outros colegas da empresa, vimos algumas demos brutas.

No entanto, para nós, somos todos jogadores para a vida toda. Eu venho jogando desde os 12 ou 10 anos ou o que quer que seja a ideia, como se eu lembrasse de ter um SEGA Nomad por um período de tempo nos primórdios da minha carreira em outros lugares e a ideia de ter jogos aonde for, ser capaz de jogar um jogo do SEGA Genesis em um avião com a bateria enorme que eu tinha que ter em volta para dar à ela outra carga de hora.

Então, a ideia de ser capaz de pegar algo como o que fizemos, olhar para as especificações técnicas e pensar: "Isso é realmente muito parecido com o que fazemos agora". Essa sempre foi a grande barreira para nós com as coisas da Nintendo. Não foi como se não gostássemos do Wii ou não gostássemos dela, era apenas que isso é o que fazemos, e se várias coisas rodarem, nós faremos elas. Então, quando olhamos para as especificações, começamos a olhar para jogos como Skyrim, Doom e Wolfenstein, e tivemos a sorte de ter desenvolvedores realmente talentosos que também estavam muito interessados em fazer, o que eu acho importante, ou encontrar um grande parceiro como a Panic Button que tinha a capacidade de pegar o que estávamos fazendo e dizer: "Sim, podemos fazer isso acontecer em um Switch".

E nós achamos que é uma peça muito legal de tecnologia... A Nintendo ainda se dá muito bem com as coisas da Nintendo. Não me entenda mal. Todo mundo é um segundo distante, mas você ainda pode estar em boa forma sendo um segundo distante no Switch, porque muitas pessoas estão comprando e jogando, e então, novamente, eles têm sido grandes parceiros conosco, eles foram muito entusiásticos. E estamos muito entusiasmados. De novo ao meu ponto, essa é uma audiência que realmente não nos conhece muito bem em termos de jogos em suas plataformas, então a chance de trazer o que fazemos para eles tem sido incrível, divertida e recompensadora, e nós vamos continuar fazendo isso."


Mais tarde, durante o painel, Hines revelou que, como o id Tech 6 estava trabalhando com o Doom de 2016, a equipe manteve o Switch em mente durante o desenvolvimento para que um porte fosse possível. Isso também abriu o caminho para os jogos de Wolfenstein na plataforma, bem como o próximo Doom Eternal.

Hines disse:

“O benefício para nós foi que o id Tech 6 foi realmente construído e nós sabíamos sobre o Switch durante o desenvolvimento do Doom de 2016, então eles [desenvolvedores] puderam fazer algumas escolhas para garantir que o id Tech 6 fosse escalável para que não ficasse muito fora de sintonia com o que o Switch estava fazendo. O benefício foi que isso permitiu que o Doom de 2016 acontecesse no Switch, assim como o Wolfenstein: The New Colossus, porque foi construído a partir da tecnologia que rodou o Doom de 2016, então isso era meio que dois por um, e isso também é o porque do próximo Wolfenstein sairá no Switch e também é por causa disso que o Doom Eternal foi anunciado. Nesse caso, não apenas como um porte, mas como algo que, pela primeira vez, estamos construindo um jogo do zero que realmente tem o Switch em mente. Foi isso, sinceramente... essa tecnologia nos permitiu fazer um monte de coisas em duas franquias diferentes. Eu não sei como diabos eles [desenvolvedores] fizeram Skyrim rodar no Switch, mas eles fizeram. Parece ótimo, é divertido. Eu joguei mais Skyrim do que um monte de gente, mas eu ainda jogo no meu Switch porque é bem legal estar sentado em um avião e lutar com um dragão. ”


Hines acrescentou o seguinte quando perguntado sobre como as discussões com a Nintendo eram dadas, uma vez que os jogos da Bethesda visam principalmente um público maduro:

“Bem, posso dizer que uma das primeiras coisas que eles disseram foi: "Ei, você tem alguma coisa onde não há muito sangue e violência? Porque há muito sangue e violência.” E nós ficamos tipo, "Sim, tem essa coisa (Fallout Shelter), é fofo e caricato - nós faremos isso também." Mas nossa crença - e isso tem sido comprovado em discussões com eles o tanto quanto recentes... ou na semana passada ou na semana anterior - eles vieram e nos encontramos falando com eles [Nintendo] em termos de sua demografia, de estar ficando mais velha. Caras como nós ainda estão jogando jogos e jogando coisas no Switch, então as coisas deles tradicionalmente são bem novas, mas você pode começar a ver essa curva subindo, de 18 a 24. Eu estou muito perto dos 50 e acima desse suporte e como costumava não haver pessoas nessa faixa etária para os dispositivos da Nintendo, e agora existe, e acontece que há um número muito bom e essas pessoas estão procurando por jogar. Então, ter uma coisa mais madura serve muito bem e nos ajuda a continuar a servir um público que está procurando por jogos, que tem renda disponível, que diz: "Ok, eu joguei Zelda, eu joguei Super Mario World, o que mais tem aí para eu fazer? ”


Como alguns outros detalhes, Hines disse que os jogos da Bethesda estão indo bem e que a empresa conversou muito com a Nintendo sobre a descoberta na eShop. A Big N realmente não tem uma resposta quando se trata de promover jogos gratuitos como o Fallout Shelter, então tem havido muitas discussões nessa área.

Por fim, Hines compartilhou uma nota interessante sobre portes, remasterizações e remakes. Ele reconheceu o interesse dos fãs por coisas como Fallout 3 no Switch, mas indicou que esses tipos de projetos são improváveis. Isso porque é preciso muito trabalho para que jogos mais antigos funcionem em novas plataformas, e as equipes estão melhor (e mais interessadas) em novos jogos, em vez de trabalhar com lançamentos passados.

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